Luciana Costa Aglantzakis

Luciana Costa Aglantzakis

Comecei a escrever quando tinha quinze anos de idade, em forma de poesias, o que resultou no meu primeiro livro, aos 19 anos, “ Que a poesia te envenene” (edição de junho de 1989, COMUNICARTE – Recife-PE).
A minha vida foi sendo desenhada e narrada como um conto que vira filme em câmara lenta. Num certo momento, tive um transe hipnótico espontâneo e premonitório que resultou no conto intitulado “Menina de Branco”, não publicado ainda, inspirado pelo terremoto miniatura do Rio Grande do Norte e o medo pueril do fim do mundo, numa busca hercúlea de ”fazer nascer” uma heroína que tinha a nobre missão de salvar o mundo.
No intervalo marcado de 24 horas tenho como missão encontrar sentimentos em tudo que me cerca. É como estar poetizando o dia, tendo enlevo de sentimentos, e trazendo no meu embornal um feixe tão leve de luz que me direciona ao glorioso Deus! Abro aqui um espaço para registrar um parágrafo do meu livro inédito “Menina de Branco”:
“- É o Olho da Sabedoria, é o Olho de Deus. Se você quer melhorar o mundo, tente primeiro doar o amor que mora no seu coração. Fique imaginando que todo dia você tem um aniversário, aí então, vá logo acumulando amor, pois todo dia de sua vida terá uma festa.”.
O início era o fim, mas sem constância, e o dia, de forma veloz, embaralhou-se no turbilhão das horas. Normalmente tudo se passa como numa seara simples: lavar-se, pentear-se, engordar e rezar para que gostem de você, porque afinal vivemos o dia precisando de um papel verde que compra coisas. Alguns compram gente, sabia?
Confesso a vocês que me fingi de morta na cama e senti meu espírito levitar de tanto medo do terremoto ocorrido na cidade de João Câmara RN, replicado fortemente na fazenda Colinas do meu saudoso pai no dia 30 novembro de 1986 e assim nasce o conto aos 16 (dezesseis) anos de idade, digitado com máquina da Olivetti, com personagens como Lua, Raio Lunar, Pingo de Chuva, Menina de Branco, Deus, Senhor, Espírito Santo, Marília, Vovô Zé, Josefa, Ronaldo, Popó, Vitória, Aura, dentre outros.
Ao final da obra ‘Menina de Branco’, transcrevo a seguir, um diálogo de Deus com a menina de Branco:
– “As pessoas só podem acreditar no amor, quando as mesmas entrarem em contato com ele”. As dúvidas e ansiedades estão destruindo as pessoas. O mal está ocupando o lugar da felicidade.
– Branca, não dê crédito ao “Preto Mundo”, pois este mundo irá se transformar um dia em um “Branco Mundo”. Os sonhos bons participarão da verdade. Ninguém sentirá vontade de chorar, pois os choros serão trocados por sorrisos.
– Deus, você é tão poderoso. Por que não faz nada?
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– Eu “não fiz a maldade, não tenho direito de destruir uma coisa que não construí”.
Recordo-me que Mary Shelley, autora da obra ‘Frankstein’, cuja obra foi escrita com muita inspiração, em companhia de Lord Byron e dois outros amigos poetas ingleses num verão chuvoso da Suíça, sob o pacto de escreverem contos de terror. Esta observação se deve ao fato que penso que a realidade é a maior inspiração para o escritor.
No meu caso, o terror era real, invenção de Deus e, por isso, era necessário o nascimento desta heroína no piscar dos olhos; antevia que jamais seria uma escritora se me escondesse sob lençóis.
Noutro momento da minha vida, encontrei-me poetisa, desejosa de “envenenar” as pessoas com poesias, cujo livro foi publicado no ano de 1989, com o título ‘Que a poesia te envenene’.
Ela, a poetisa, assim bradava discursos poéticos:
-Dona Maria, dona das formosuras, gosta de usuras, de palavras soltas. Vive da essência dos amores. Cheira o pecado com sabedoria. Brinca com a malícia ao nascer do dia (…).
– Se abra, mostre suas entranhas para a porta colorida de uma casa escura que mora em você.
– Quero que a poesia te envenene. Motivo para a morte, morte com ressurreição repleta de alegria. Doença que mata o mundo mal. Poesia veneno, sete mistérios, nova vida que se anima até com o nascer do sol, com o beijo dos namorados, com a lua insinuando o pecado. A vida fica bem vivida, o mundo muda de cor, brigar se torna sinônimo de beijar, decepção pode se chamar alegria. Se envenene.. pois tudo é possível dentro da poesia.
Depois gritava: “Sou terrível, fui a uma festa de assombração vestida de palhaça”. Todos ficaram assustados, pois no mundo dos horrores a alegria é venenosa. Fatal!
Em Natal-RN, em alguns momentos da década de 90, tive a honra de gostar de teatro, e registrei algumas peças teatrais, durante minha adolescência, cujos textos estão registrados na SBAT (Sociedade Brasileira de Autores Teatrais), peças infantis nomeadas ‘O Piratinha Apaixonado’, ‘Rebelião dos Bichos’, ‘O Anjinho Encantado’ e por último a peça ‘Quando os brinquedos se apaixonam’. Estes textos estão registrados no meu nome de solteira e descobri que tem um erro de português, pois estão registrados sob o nome de Luciana Regaldo Costa, mas o meu nome verdadeiro (de solteira) é Luciana Regalado Costa. Estes textos estão guardados na Sbat e por terem sido datilografados há tanto tempo, não tenho como mencioná-los a tempo de participar deste edital.
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O nome Regalado é um termo que me custou muito bullying na infância e adolescência, pois eu era qualificada como um “ser arregalado”. Contudo, nem tudo é ruim, pois este nome é oriundo da descendência de um Santo denominado Pedro Regalado, um santo espanhol que tinha o dom da ubiquidade, e que era protetor dos touros. Minha tataravó materna teve, no passado, a coragem de fazer uma promessa para não ser vítima eterna de diversos abortos e teve a ideia de que o bebê teria o nome do Santo do Dia no nosso calendário gregoriano. Desse feito, o meu bisavô materno ao nascer, foilhe dado o nome de Pedro Regalado. Devo dizer que gostei da história, pois era fruto de fé, sentimento que meteoricamente habita em mim.
Da obra “Novos Poetas no Rio Grande do Norte”, publicada pela Fundação José Augusto, ano 1990, p.72, consta o poema ‘A vida’:
“ Resta sim…
um último vidro de alegria
um líquor verde-natureza
um batom pink
tua boca emitindo sons das pedras
seu cheiro o aconchego de um gritinho mirim
ternura
fantasias
usuras
tempo sem fim
a última palavra triste
a caminhada pelos ventos
um estádio lotado torcendo pelo amor
resta toda a vida”.
Quando residia em Boa Vista-Roraima, realizei a apresentação teatral em “Contos Contados”, que me rendeu uma premiação literária.
A vida real não tinha assombração e não podia ter o luxo de ser um esconderijo frágil para terremotos.
Estudei, formei-me em Jornalismo e depois formei-me em Direito pela Universidade Federal de Roraima. Escrevi contos jurídicos baseados em fatos reais, frutos da curiosidade acadêmica, e, dentre eles estão “O Poder do Juiz eleitoral na Propaganda
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Eleitoral e uma releitura da súmula 18 do Tribunal Superior Eleitoral”, replicado em várias revistas específicas do Direito Eleitoral, “ Divórcio Urgente e Violência Doméstica”, “ Audiência de Custódia na Prisão Civil de Alimentos”, “ O Tatu Tocador e a Constitucionalidade nos Testes de Alfabetização”, “As Três Presunções de Paternidade no Direito de Família Brasileiro: Uma Análise Crítica e Tópica sob o Prisma do Afeto”, “Responsabilidade do Sócio-Gerente e Fraude à Lei”, “Direito à Informação e ao Voto”, “Legitimidade dos Partidos Políticos e Impetração de Mandado de Segurança Coletivo”, “A prescrição Intercorrente nas Demandas de Improbidade Administrativa Como Mecanismo de Extinção da Punibilidade do Agente Público”. Além destes, outros textos e comentários jurídicos publicados no site www.jusbrasil.com.br e no blogger pessoal “Prática Direito ABC Sentenças”.
Agora mencionarei algumas linhas de cada artigo jurídico.
No artigo “ Audiência de custódia na prisão civil de alimentos”, publicado na Editora Lex Magister, jul agosto 2019, edição nº 31:
“ (…) Somente o alimentante- ser humano que está a beira do abismo da prisão civil- terá condições de dizer abertamente a sua real condição ecônomica e fazendo uma paráfrase a Paulo Freire( 2013, p. 51), a liberdade é uma conquista, não é doação, se trata de uma busca permanente e não é um ponto ideal que esteja fora dos homens.
Consideramos que a liberdade se trata de uma condição indispensável ao movimento de busca em que estão inscritos os devedores de alimentos, como “seres inconclusos”, termo conhecido e e autoria de Paulo Freire, ademais ninguém pode ser preso apenas porque não conseguiu cumprir obrigação civil, conforme art. 11 do Decreto nº 582/92( Decreto do Executivo), de 06.07.92.
Este tema é importante e despertou o meu interesse, pois a Corregedoria-Geral de Justiça do Estado do Tocantins fez uma correição no mês de abril de 2019 e constatou na Comarca de Pedro Afonso- onde exerço o cargo de Juíza de Família – duas presas civis reclamando que não tinham defesa plena e estavam desassistidas pelo Juízo.
A prisão delas decorre de ordens de prisão de outros juízos deprecantes, e considero necessário e justo que o juízo deprecado possa colher o depoimento delas e remeter as explicações ao juízo deprecante para que diante de novos fatos, após audiência de custódia por analogia, o juízo deprecante decida novamente sobre o acerto ou desacerto da prisão decretada”.
Agora registro parágrafos do artigo As Três Presunções de Paternidade no Direito de Família Brasileiro: Uma Análise Crítica e Tópica sob o Prisma do Afeto”, publicado na Revista Esmat, ano 2, nº 2, Janeiro Dezembro de 2010:
“ Inúmeras situações podem ocorrer no processamento das lides que levem ao Juiz decidir situações de conflito no Direito de Família em relação ao tema presunção e investigação de paternidade.
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Como decidiria um magistrado se por acaso se deparasse com uma lide de um pai que deseja reconhecer a paternidade de uma criança com a paternidade já reconhecida em um registro por erro devido ao fato do seu filho ter sido trocado na maternidade?
Imaginaremos, ainda, um pedido de decreto de anulação de um pai registral que tenha se declarado espontaneamente como pai biológico há mais de uma década e compõe a causa de pedir da ação o detalhe de que a criança declarada filha no registro de nascimento, na verdade era seu irmão.”
Agora registro alguns trechos do artigo “O poder de polícia do magistrado na propaganda eleitoral e uma releitura da súmula 18 do Tribunal Superior Eleitoral”, publicado na Revista Informativo Eleitoral do Tribunal Regional Eleitoral do Mato Grosso do Sul, vol. 21, 2009, na Revista Suffragium da Revista do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará, vol. 6, n.9, 2010, na Revista do Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins, vol. 4, n. 1, jan/jun 2010, e na Revista do Tribunal Regional Eleitoral do Pará, v. 2,n.1, maio/agosto 2010, tendo este texto citado como doutrina de referência pelo Site do Supremo Tribunal Federal, como doutrina relevante nos anos de 2009 e 2010. Confira-se citação do referido artigo:
“ A propaganda é um conjunto de técnicas empregadas para sugestionar as pessoas na tomada de decisão. Efetivamente para que se possa caracterizar a propaganda é importante o propósito deliberado de influir na opinião ou na conduta alheia. Em não havendo esse animus, não se poderá cogitar de propaganda, pelo menos na seara do Direito Eleitoral.
Como deve ser a conduta do Magistrado Eleitoral para controlar o abuso da propaganda eleitoral?
Em razão da específica atuação do magistrado eleitoral no Poder de Polícia verifica-se a possibilidade de abertura de procedimento administrativo de ofício, para cassar a propaganda irregular, mesmo que seja manifesta ou velada, subliminar, estilo promoção pessoal e justifica-se uma atuação célere e efetiva do juiz em notificar o candidato ou A empresa responsável pela divulgação da propaganda para inibir a sua publicação, sob pena de multa, com fulcro no art. 461 e seguintes do CPC”.
Registro trecho do artigo Responsabilidade Tributária do Sócio-Gerente e Fraude à lei”, publicado na Revista Jurídica Fortium, vol. 1, Número 2, jan/mar 2007:
“ Este artigo tem o mister de expor o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça em relação ao tema Responsabilidade Tributária do Sócio-Gerente.
Primeiramente é de se frisar consoante afirmação do ministro Ari Pargendler no julgado REsp. 100.739-SP, que há em muitos julgados estaduais ‘ uma confusão entre o sócio-gerente ( ou diretor, conforme a natureza da sociedade) e a pessoa jurídica. Tal confusão segundo o ministro não devia ocorrer “ pois quem está obrigada a recolher os tributos devidos pela empresa é a pessoa jurídica, não obstante ela atue por
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intermédio do seu órgão, o sócio-gerente( ou diretor), a obrigação tributária é daquele, e não deste”.
Sempre que a empresa deixa de recolher o tributo na data do vencimento, a impontualidade ou inadimplência é da pessoa jurídica, não do sócio-gerente, que só responde excepcionalmente , por débito, desde que de atos que sejam de excesso de mandato ou infração à lei, estatutos ou contrato social, nos termos do art. 135, III, CTN. Dessa impontualidade pode surgir dívida ativa e execução fiscal.”
Registro agora trecho do artigo “ Direito a informação e ao voto”, publicado na Revista Paraná Eleitoral, n. 49, jul/set 2003:
“ Em relação aos direitos de informação e ao voto podemos concebê-los como direitos de quarta geração decorrentes do fenômeno de globalização e correspondentes da derradeira fase de institucionalização do Estado Social. Deles depende a concretização da sociedade aberta ao futuro, em sua dimensão de máxima universalidade, para o qual parece o mundo inclinar-se no plano de todas as relações de convivência. Esses direitos de quarta geração compreendiam o futuro da cidadania e o porvir de todos os povos. Tão somente com eles será legítima e possível a globalização política.3
Concebemos, também, que a democracia e a informação 4 e o pluralismo somente poderão ser considerados como direitos de quarta geração interdependentes quando o eleitor possa escolher conscientemente seus representantes, e isto somente será possível, como direito fundamental, na medida em que a “ informação e o pluralismo” advenham de veículos sérios e imparciais e sobre este aspecto queremos demonstrar a influência que os meios de comunicação exercem sobre os eleitores brasileiros.”
Na oportunidade, registro o artigo “ Dupla Filiação e decisões divergentes nos tribunais eleitorais, considerações jurídicas sobre o artigo 22, parágrafo único da Lei 9096/95”, publicado na revista jurídica Paraná Eleitoral, n. 56, abr/jun 2005 e na revista jurídica do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina, Resenha Eleitoral, nova série, 2004, julho a dezembro, vol. 11, n. 2:
“ Verifica-se que existe polêmica em relação a interpretação do artigo 22, parágrafo único da Lei 9096/95 no âmbito da Justiça Eleitoral Brasileira. Este artigo é um sinal da necessidade ímpar de os intérpretes optarem por temperamentos constitucionais, porque em determinadas situações a opção por uma interpretação literal da norma inserta pode ferir o princípio da autonomia partidária, ou pior, a Lei Magna e o bom senso lógico que aviventa a mente dos cidadãos.
É público e notório , também, que este tema é atual e foi discutido recentemente nos Tribunais Regionais Eleitorais quando dos julgamentos dos registros de candidatura do pleito municipal de 2004.
Segundo esta norma, quem se filia a partido político tem a obrigação de informar ao Partido anteriormente filiado e a Justiça Eleitoral sob pena de configurar “dupla
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filiação” e ambas as filiações serem consideradas nulas, pois infrigiram princípios de fidelidade partidária”.
Agora registro parágrafos do artigo “ Legitimidade dos partidos políticos para impetração de mandado de segurança coletivo”, publicado na revista Paraná Eleitoral, 50, out/dez 2003:
“ O partido político é uma forma de agremiação de um grupo social que se propõe organizar , coordenar e instrumentar a vontade popular com o fim de assumir o poder para realizar seu programa de governo.
Substituição processual ou legitimação extraordinária é instituto de direito que ocorre a defesa em juízo de um interesse que não tenha o demandante como titular, necessitando de avaliação no sentido de descobrir se há autorização legal para a pretensão alheia.
A problemática seria em adequar, encontrar subsunção legal da legitimidade própria do partido político em defender interesses alheios, dos seus filiados ou dos cidadãos, nos limites dos estatutos partidários, ou numa forma ampla de defesa da constituição democrática. O quê, como e a favor de quem eles agiriam legitimamente como substitutos processuais?
Em breve resumo, encontramos, em nossa pesquisa, respostas que sugerem duas linhas de pensamento, para solução deste apótema. Uma linha interpretativa restritiva do papel a ser desempenhado pelo partido político e outra bastante ampliativa, com objetivo de fortalecer a Constituição Democrática de 1988, onde nomeamos de “corrente democrática”.
Agora registro trechos do artigo “ Divórcio Urgente e Violência Doméstica” publicado na obra “ Afeto e estruturas familiares”, pela Editora Del Rey, e pelo Instituto Brasileiro de Direito de Família, em Belo Horizonte, 2010, coletânea de artigos da área do direito de família. Este texto foi redigido quando a Constituição regente exigia dois prazo de separação para ser declarado o divórcios dos cônjuges. Confira-se:
“ O amor é a célula vital que comanda o mundo e somente esta célula é a lei do equilíbrio da terra.
Qualquer outra lei que não atinja a direção do amor deve ser repensada, em atenção a nova ideia de direito de família Eudomonista, que segundo Maria Berenice Dias, é aquela formada “ pela comunhão da vida, de amor e de afeto no plano da igualdade, da liberdade, da solidariedade e da responsabilidade recíproca”.
O intérprete do direito atual deve aplicar a norma no seu aspecto teleológico e não pode ser um ser insensível a mudanças, pois o caso concreto nunca é igual – a justiça é um valor formatado por sentimentos necessários, que apesar de abstratos exigem uma aplicação razoável para que o ser humano vislumbre decisões jurídicas legitimidade e efetividade.
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(…)
Diante das justificativas esposadas, é previsivelmente constitucional o divórcio direto quando é visível a presunção de dissolução do casamento diante de indícios de crime de violência doméstica, com base no art. 226 § 8º, c/c art. 1º, III, CF/88, e também da aplicação do art. 226, no seu parágrafo sexto, sem o prazo de reflexão, e diante das convenções de Direitos Humanos firmadas pelo Estado Brasileiro”
Descrevo, ainda, o artigo “ O tatu-tocador e a constitucionalidade dos testes de alfabetização”, publicado na Revista Paraná Eleitoral, n.70, out/dez 2008, artigo inspirado por processos de registro de candidatura de candidatos semi-analfabetos que deveriam ser submetidos a provas de português para saber se eram ou não analfabetos. Naquela ocasião o tatu-tocador era um conto de um livro de primário, e o candidato passou na prova.
“(…) Nesse desiderato, entendi na condição de juíza eleitoral que se o candidato após não ter apresentado certidão de escolaridade de primeiro grau, ou de não ter realizado certidão de próprio punho na sede do Cartório Eleitoral, era possível uma terceira chance, e adotei uma solução criativa, uma pequena prova reservada de leitura de um texto de primeira série do ensino fundamental a ser realizada por duas peritas de educação, nomeadas por essa Magistrada.
A prova se chama TATU TOCADOR e teve o condão de analisar se o candidato conseguia ler o texto. Saliento que depois de todas alternativas somente não passou no este quem não veio ao Cartório Eleitora, após intimação reservada para a realização da prova, terceira opção do(a) candidato(a) sempre com o cuidado de não ofender a dignidade, o valor moral do possível candidato(a)”.
Nessa oportunidade, por curiosidade, apresento o texto original da prova, publicado que foi no artigo a prova aplicada na sua integralidade( Alegria do Saber, pag. 75, PNLD 2007, Scpione, Lucina Maria Marinho Passos), cujo mérito consistia em conseguir ler o texto, pois considerei que o candidato era alfabetizado se conseguisse pelo menos ler adequadamente o conteúdo da prova:
“ O TATU TOCADOR
O tatu toca tuba na mata
A cutia toda animada:
O tatu toca tubo tão bonito!
O tucano fala:
Não é tubo, boba! É tuba! Dona Paca!
A cutia fica danada!
Ô tucano! Eu não sou boba
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E não sou paca. Eu sou cutia!”
Por fim, registro o artigo publicado no livro “ O combate à corrupção no Brasil- Novas prevenções de enfrentamento”, publicado pela Editora Esmat, 2018, cujo artigo foi redigido em conjunto com George Washington da Silva Bernardes, de titularidade “ A prescrição intercorrente nas demandas de improbidade administrativa como mecanismo de extinção de punibilidade do agente público”. Confira-se trechos desta obra:
“ A prescrição intercorrente é um instituto do direito adjetivo e n ao do direito material e segundo Arruda Alvim é necessário para que os atos processuais sejam praticados no tempo normal do andamento do processo e o interessado tenha um ônus permanente de movimentar o feito, sob pena de arquivamento. Ele constrói sua tese com a seguinte afirmação: “ A chamada prescrição intercorrente é aquela relacionada com o desaparecimento da proteção ativa, no curso do processo, ao possível direito material postulado, expressado na pretensão deduzida; quer dizer, é aquela que se verifica pela inércia continuada e ininterrupta no curso do processo por seguimento temporal superior aquele em que ocorre a prescrição em data hipótese( ALVIM, 2006, p. 34)”.
(…)
Para parte da doutrina, a prescrição intercorrente possui um caráter híbrido, pois incide quando já instaurado o processo, ao mesmo tempo em que se vale do prazo prescricional da lei substantiva. Age, assim, como alternativa a indevida eternização do processo, que já perdeu a sua utilidade”.
‘’ Os artigos jurídicos publicados são da área do Direito Eleitoral, Direito de Família, e Processo Civil, cuja área do Direito despertou em mim a intuição jurídica para compreender a atuação necessária do magistrado, que se confunde com o sacerdócio.
Também escrevi um livro digital de Súmulas (em ordem alfabética), que ficou disponível durante um bom tempo no site da Escola da Magistratura do Estado do Tocantins, e, também o livro que registrou uma das minhas pós-graduações em Direito: “Princípios Constitucionais nos Concursos Públicos e Pós-Positivismo”, Editora Papel Virtual, 2005, Rio de Janeiro e o livro digital publicado em fevereiro de 2019 na editora Kobo sobre “Prática Direito Civil”, fruto de despachos, decisões e sentenças rotineiras de uma vara cível genérica estadual.
Tornei-me juíza de pessoas, e assim gasto o dia com os conflitos, os erros e desacertos de pessoas reais… seres precisando de sermão e de uma mão. Gosto de escrever, e as sentenças, algumas delas, transformaram-as em obras de arte literária, pois que descrevem o sentimento das partes.
Durante esta pandemia da COVID-19, decidi por encontrar formas de tornar públicos todos os meu textos guardados ao longo dos anos e, nasce “Cantos e Encantos”, “Analfabetismo do Amor”. “A caçadora de Anjos”, em andamento, obras que estão atualmente disponibilizadas no site www.wattpad.com.br.
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O livro digital “O Analfabetismo do Amor”, inspiração derivada de leitura dos livros de Clarice Lispector, como a obra” Água Viva”, que relata o nascimento de uma mórula no mundo dos humanos num barco em alto mar, com personagens reais e pseudônimos tais como: O senhor bomba, O homem que é apenas homem e a Mulher que é apenas mulher, O cachorro, O menino, O bêbado, O senhor louco, cujo preâmbulo exibo a seguir:
“Sim. O que é o Sim nesse mar que vai e faz ondas?
Eu estou aqui e vejo um mundo-útero.
O líquido amniótico é um mar minúsculo.
Eu amo esse mar e o engulo porque aprendi a engolir sem me afogar na mãe.
Mamãe nem sabe que eu sou apaixonada por água.
Mamãe não sabe se rio, choro ou se durmo e acordo. Ela me quer. Tenho que nascer. É uma obrigação crescer.
Falarei brevemente de mim.
Sou apenas um corpo que não sente. Uma mórula. Mórula é uma célula inicial do ser que deve ser humano. Massa compacta, constituída por 16 ou mais blastômeros e proveniente da segmentação de ovo fecundado (…).
Os cientistas dizem que mórula não sente e que a mórula é o primeiro estágio do SER. Pensando bem, é algo misturado por Deus que fica de castigo num útero. É um bom castigo e não há castigo a não ser esse: nascer.
Divago se saberei me transformar em gente: criar braços, olhos, cabelos e se saberei falar.
Divago se entenderei que o sol apesar de igual é incoerente. Divago… Saio de mim porque sou um globo sem vida e aqui posso pensar em tudo que irá acontecer: um EU INDEFINIDO totalmente analfabeto no amor desses homens que deviam ser mórulas…
Sentir é complicado e não quero sair daqui. Aqui é quente e estou no ninho da mãe. A mãe perfeita que não manda: apenas doa sangue. Eu não quero nascer. Nascer dói e é um parto. Sei que haverá vários monstros brancos me esperando e também terei que chorar. E chorar é horrível. Prefiro tirar fotos no ultrassom e lá improvisar um sorriso digital borrado. Estou tão exausta nessa minha vida pensativa de célula que continuo crescendo e é tudo muito rápido: a avalanche da vida não espera. Já não sou mórula.
E agora Deus… O que faço nessa terra, Majestade? O que faço se me fizeram gente tão rapidamente? Não está certo ser gente; gente feito fórmula mágica.
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Na transformação de ser gente fico sabendo que terei que aprender muito e esse aprender vai romper a carne. Envelhecerei e não haverá volta. Estarei sempre no caminho da morte e estou com saudade do tempo mágico de ser mórula.
Mamãe me quer. Papai me quer. Vejo que haverá um quarto rosa e vão me tratar como bebê. Isso será esquisito: fingir que sou bebê. Mamãe, mamãe, eu entendo que isso de usar fralda é complicado. Tenho que passar por isso? Deus quer que eu aprenda tudo novamente. Tudo. Ele ordenou que eu fosse à forma de um SER simples. Deus falou brevemente que existir na terra é apenas não complicar.
Era mais fácil morar no céu, e até o estágio de SER mórula eu estava bem.
Mas o mundo é algo incompreensivo, dificilmente controlamos ou entendemos. Deus ordenou o meu nascimento e nasci.
E assim tive que começar tudo de novo”.
Descrevo alguns cantos da obra Cantos e Encantos, que está publicada no site da Editora Wattpad, já revisado e caminha para o prelo para janeiro de 2021, na Editora Veloso Editora da cidade de Gurupi.
Há um Canto, que tem um nome interessante: “Existir Sem Se Gastar”.
“Senhor Criador,
preciso de asas melhores
e de pés que voem
o mundo é um redemoinho
de pessoas sem rosto
retirantes de medo
em busca de conhecer
o aqui-e-agora.
E eu choro, pois é tudo passageiro.
Sinto-me uma passageira
que perdeu o trem
e teve que correr com botas!
Sou uma abestalhada de botas
uma gata
que não mia muito
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Porque é feio…
E afinal o que fazer com
pessoas com badalos e risos.
Sinceramente é preciso inverter
tudo e muito mais um pouco…
Está tão confuso.
Está tudo mudo.
E não vejo regras para entender regras bestas.
Está tudo num luto de amor.
Um luto que consagra a dor.
Um horror.
A vida não é monstro.
A vida não é um assombro.
Estou comigo, com eles, elas,
um monte de pendências.
Argolas pedem bolinhas para algum bebê sorrir
E está assim…
Um mundo que posso misturar.
Para não me cansar com nada.
Pois antes de fazer é preciso sonhar
E sonhar é o existir sem se gastar”
O dia é longo e no meio dele existe um diário mágico que se registram os contos. Tenho a intenção de presentear aos leitores, ‘Cantos e Encantos’ para que juntos possamos passar por essa pandemia com mais leveza.
As obras e ensaios escritos por mim, descrevem o que sou e tento ser, cujo conteúdo sob minha análise vem com um matiz existencialista recheado de pensamento positivo. O homem é fruto do que desconhece, e vive sem saber onde se encontra o criador de tudo. Também gosto de escrever textos da área do Direito, pois considero uma forma de
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interagir com o conhecimento científico adquirido no decorrer da minha vida. Atualmente tenho escrito artigos de Direito em diversas revistas jurídicas com propósito de divulgar meu conhecimento adquirido com a prática diária no exercício da magistratura.
O meu público é o Outro, que está também na busca do encontro, o encontro de si próprio e do sentido de existir, na tentativa de estabelecer liames vis-à-vis da felicidade desejada. No mundo caótico em que vivemos é necessário “abrir portas”… portas dentro de outras portas e a casa é imaginária! Na casa imaginária existem salas, porões, colchões duros e macios, algumas mesas com cafés aromáticos, outras com pão duro. São as casas, as vidas humanas.
Atualmente resido no Estado do Tocantins, na cidade de Palmas-TO atuo como magistrada na 1ª Turma Recursal dos Juizados Especiais Cíveis do Estado do Tocantins, e tenho também atuação na cidade de Pedro Afonso, onde exerço a função de Juíza de Direito da Vara Cível, além da função de Juíza da 23º Zona Eleitoral. Trabalho com processos da área civil e eleitoral, cujo labor exige conhecer com maior profundidade o homem, para melhor decidir sobre conflitos existenciais e patrimoniais.
Seria oportuno que aprendêssemos um pouco da Filosofia Oriental, na qual o homem tem como Princípio a resolução dos conflitos, primeiramente com o próximo e assim não nos sentiremos acanhados de utilizar o Poder Judiciário em querelas que dependem apenas de maior empatia com o outro.
A pandemia do Covid 19 merece uma chave da cura, e apresento o canto “ Não tenha Medo”, do livro “ Cantos e Encantos”: “Não tenha medo. O medo é algo que deve ser invertido: DOME! Para atingir os seus objetivos e atingir um belo castelo é necessário enfrentar um pântano. Pela estrada fora eu vou quase sozinha, levando o conflito numa sacolinha.O pântano é longe e o caminho é deserto e o lobo mau sempre mora por perto….. _ Calma, calma, o caminho é animado. Tenha humor! No caminho sempre há anjos, espíritos que lhe guiam. O caminho é maravilho. . Placas de fé revelam discretamente o caminho da chave. que vai lhe ensinar a sua missão na terra!
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O dia não acabou… não sei quando vai acabar! O dia pode ser o retrato a ser pintado de uma vida inteira. Parece-me premente e necessário tudo partilharem com bons colegas da academia para concluir com êxito as nossas jornadas.

Cadeira: 8

Posição: Atual

Ano de Posse:
2021-03-27

Ano de Falecimento:
Não Definido

Ano de Entrada:
2021-03-27

Ano de Eleição:
2021-03-04

Ano de Nascimento:
1970-03-30