No pensamento viajo, vou longe, vou ao vento,

vezes outras vou ao infinito….

No pensamento transponho os mares, transformo-me,

às vezes até fico rico, outrora sou, pobre, sofredor, faminto…

Outro dia fui rei, rodeado de plebeus, venerado,

bem alimentado, apesar de tudo….Infeliz!

No pensamento, já fiquei ao relento, sem pátria, fui judeu.

 Já voltei ao passado, vi a fome a meu lado, doeu!!

Outro dia até vi Maria, vi José, Cristo estava ao leu lado,

foi o encontro do presente com o passado!

No pensamento já mudei de cor, fui negro, discriminado.

Ainda ontem, estava distante, no Tibet, era um Monge…

voltei depressa, alguém me chamava, abri a porta,

surpresa agradável, o Jandir, (meu irmão, faleceu de

cólera de 1963), sorridente ­me esperava!!

No pensamento fui poeta, levantei multidões.

No pensamento já vi o mundo igualado, sem fome.

No pensamento dei cura a AIDS, acabei com a Dengue.

No pensamento já ganhei na sena, virei outro homem.

No pensamento gosto de viajar, conhecer outros lugares,

ainda hoje fui ao além dos mares e andei nos montes,

percorri os caminhos de Compustella, fui a Roma, vi o papa.

No pensamento, vou longe, vou ao vento.

No pensamento nem preciso de muito dinheiro.

No pensamento conheço o mundo inteiro!

No pensamento sou feliz.

No pensamento faço o que sempre quis.

No pensamento encontro a paz!

Poesia

Jales Paniago – cadeira 23

Academia Palmense de letras (APL).

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