Abra a porta

Deixe-me entrar

Sem o cadeado

Para o rato não estranhar

Coloque um doce envenenado

Para acalmar

As ferinhas endiabradas

Que não param de pestanejar

Ai, ai, ratos

Que se amam no lixão

Que as formigas o digam

É melhor amor

Que mil amores em luz

Na escuridão

A natureza vive nos esgotos

Ralados

Subterfúgios

Gosmentos

Rabujos

Muitos ratos colhem rosas

Jogadas no lixo, pois o mundo se renova

Em ciclos

Tudo se aproveita

Reciclagem

Eu, homem embalagem

Você, gato, gato!

Licença para uma pele de gato

Que está na botija

E entra no telhado

Me salva em tese dos ratos

Que tanto correm no telhado

à meia-noite

Não durmo, os gatos miam

Miam e não comem ratos

Escondidos no telhado

Vencem os gatos…

Rio ….

Escrevo besteira

Está tarde e os ratos não param de correr

No telhado

Não respeitam noite e dia

Os gatos já não miam

Esbaforidos vem rosnar

Abaixo do telhado

Somente me resta preencher

 as arestas do telhado.

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