Fidêncio Bogo

Por Luciana Aglantzakis – cadeira 8

Em homenagem ao meu antecessor Fidêncio Bogo

Mulher é bicho treiteiro

Seus olhos são um mistério

não se sabe se está olhando

para o berçário ou o cemitério

Por baixo daqueles cachos

negros, castanhos ou louros

você não sabe se existem

mil trastes ou mil besouros

Seu sorriso todo luzes

de casamento ou velório

tem sentido de elogio

ou de brabo xingatório?

E o jeito de olhar por cima

e o jeito de olhar de lado

é interesse e acolhida

ou é deboche escrachado?

E o silêncio repentino

no meio da roda amiga

é êxtase e enlevamento

ou é preparo para briga?

E aqueles requebros todos,

aquela ginga fatal

revela um anjo benéfico

ou um mensageiro do mal?

Mulher é livro taludo

escrito em grego ou aramaico,

que pode conter de tudo como

um variado mosaico.

Por isso não é monótona,

mas é surpresa constante,

como tela panorâmica que

se muda a cada instante.

Mas quem souber entendê-la

sentirá grande alegria

pois terá, enfim, podido

vencer a monotonia.

Para quem souber entendê-la

é uma graça recebida,

pois terá, enfim, captado

o pleno sentido da vida.

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