– Meu Araguaia…vida embevecida neste luxo

Fontes das Imagens: pertencem ao arquivo da escritora Francisquinha Laranjeira

Autora: Francisquinha Laranjeira Carvalho

Palmas-TO, 08/12/2019.

– Gritos ecoam além dos montes-

Sentada sobre as finas areias do Araguaia e agraciada pelo vento, fico a observar o pôr do sol a emanar seus raios coloridos, mostrar seu brilho, sua força e seu poder.

A sintonia de cores do arco-íris é hilariante.

Fascinada, assisto ao sol e ao vento brincarem com as nuvens, e, estas, sentindo-se enamoradas desfilam no espaço. Vão bailando por entre as cores do firmamento para formar figuras inusitadas, ora de animais, ora de santos, como se estivessem fazendo mágicas para eu adivinhar.

É ali, naquele imenso teatro, como em um primeiro ato, que encontro o meu eu.

A noite se aproxima, vai começar o segundo ato. Neste espetáculo, ao pôr do sol, observo as gaivotas, garças, marrecos e tuiuiús saírem de cena. Voam para as matas ciliares em direção aos seus aposentos. Pousam enfileirados nos galhos das árvores e apreciam o espetáculo do sol a se pôr. O vento, em parceria com as matas, canta. Aquela música provoca sono profundo nessas divinas criaturas.

As cortinas lentamente se fecham.

O sol, sentindo que cumpriu sua missão diária, sem pressa, se retira do palco para dar lugar à entrada da lua. A noite chega e a escuridão é dominante. Todo o cenário se esconde.

Vai iniciar um novo espetáculo!

Naquele silêncio da noite escura, como num passe de mágica, abrem-se as cortinas e a lua, vagarosamente, surge por detrás das montanhas; entra em cena sutilmente, a passos lentos. De repente, acelera sua entrada ao grande palco e resplandece majestosa, imperativa, poderosa, belíssima e única; ilumina todo o firmamento e provoca no imaginário humano inspirações poéticas. Neste espetáculo, as cachoeiras mostram sua força e as estrelas externam seus brilhos. As areias, finas e brancas, ganham um charme na paisagem.

As águas do Araguaia cintilam,

Emanadas pela lua, bailam…

Espécies são geradas…

Vidas agradecidas!

Perpetuação assegurada!

Sou feliz aqui, ali e em todos os seus recantos! 

Ao Criador do universo, canto…

Encantada, me recolho para uma barraca feita de palhas. Deitada, olho para o teto e, por entre as folhagens das palhas da piaçava, observo as estrelas brilharem no firmamento. À meia noite, ouço o barulho do silêncio e o silenciar das cachoeiras como uma música de ninar.

Durmo embevecida nesse luxo…

Sonho…

Debruço-me defronte suas águas…

Nado…

Por entre os sarãs caminho…

Vejo suas margens assoreadas…

Grito!

Minha voz ecoa como as fontes!

O Araguaia grita!

Gritos ecoam para além dos montes!

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