Pai,

sei que tenho falhado muito para com teu plano, mas neste ano tão inglório, não venho pedir bombons nem ovos de chocolate; venho pedir muito mais, pois é grande a necessidade.

Venho pedir que o Senhor nos mande um pedacinho do céu. Nem precisa ser daquelas paragens mais maravilhosas, é bastante um torrãozinho de um sub-céu.

Troco, de bom grado, um grãozinho de Vossa Graça por todo o chocolate do mundo, inclusos os suíços. É que por aqui, a coisa está terrível. A cruz com que infamaram teu filho ungido tem se multiplicado aos milhares, todos os dias, pelos campos santos, identificando o martírio e a dor de milhões do nosso povo. É o Mal reinando, espalhando armas em vez de abraços; morte, em vez de Esperança.

Pai,

sei que o pior papel nesse enredo foi vivido pelo próprio povo que agora morre. Milhões seguiram um falso Messias e escolheram como guia um Senhor das Armas acobertado por um exército de milícias. Sim, eu sei. Mas, Pai, eles não sabiam que era o Mal falando em teu nome.

Pai,

livrai-nos do Genocida e de suas milícias, suas mentiras sobre as cloroquinas da vida e de todos os males que daí nos advém.

Pai,

se não for muito abuso de minha parte, se não for pedir demais, manda também, nesta Páscoa, uma colomba da paz.

Amém.

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